terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Amazônia registra a menor taxa anual de desmatamento em 23 anos, diz Inpe


A taxa anual de desmatamento da Amazônia atingiu seu menor índice desde o início do monitoramento sistemático na área, em 1988, com o abate de floresta equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram o corte de 6.280km2 entre agosto de 2010 e julho deste ano.A margem de erro é de 10%. Foi a terceira queda anual consecutiva.

O Pará foi o Estado que mais desmatou no período, com 2.870 km² de florestas degradadas.

Mas foi em Rondônia que o ritmo das motosserras impressionou.

Os 869 km² desmatados representam o dobro do número registrado no período anterior no Estado, que abriga a pressão de duas novas hidrelétricas,Santo Antônio e Jirau, em construção no Rio Madeira.

Embora no topo do ranking dos Estados desmatadores,o Pará desmatou menos que no período anterior, enquanto a taxa cresceu em Mato Grosso, que perdeu 1.126 km² de floresta. O ritmo acelerado de abate de árvores em Mato Grosso foi responsável por acionar um gabinete de crise, em maio, cujo desempenho teria sido responsável pelo resultado apresentado ontem.O anúncio foi feito com pompa,no Palácio do Planalto.

"Essa é a menor taxa de desmatamento da história, desde que começou esse monitoramento.

É uma taxa histórica e representativa, sinalizando que continuamos com a nossa determinação de reduzir o desmatamento na Amazônia",disse Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente.

Até poucos dias atrás, o governo apostava num crescimento do desmatamento. Isso porque os dados apurados pelo sistema de detecção do desmatamento em tempo real, chamado de Deter, apontava crescimento de cerca de 30% no abate de árvores.

Segundo o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, a taxa anual não acompanhou o ritmo de alertas de desmatamento porque, diferentemente de anos anteriores, o abate de árvores ficou concentrado em grandes áreas.

Sem trégua. O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que a orientação dada ontem pela presidente Dilma Rousseff é a de que "não se dê trégua" ao desmatamento.

Segundo o Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a ação de fiscais resultou na apreensãode42milmetroscúbicosdetorasdeárvores, 325caminhões e 72 tratores no período.

Além disso, o governo contabilizou o embargo de 795 km² de áreas desmatadas. São parcelas de propriedades privadas onde a vegetação nativa se recuperará.

Simulações levadas ontem a Dilma mostram que, a partir de 2015, mantido o ritmo de queda no desmatamento, a Amazônia passará a captar mais carbono que emitir gases-estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

As simulações levam em conta que o ritmo das motosserras na Amazônia vai se estabilizar em torno dos 5 mil km² por ano.

Mercadante destacou que o governo está investindo R$ 1 bilhão em satélites que aperfeiçoarão o monitoramento das florestas.

"Esses satélites vão permitir ganhos significativos na capacidade gerencial de nosso território", disse o ministro.

A divulgação dos novos números ocorre no momento em que se realiza a 17.ª Conferência do Clima (COP-17), em Durban, e em que é preparada a votação do novo e polêmico Código Florestal.

O governo trabalha para chegar a2020comumataxade 4mil km² de desmatamento na região, de acordo com metas definidas em lei em 2009.

"Esse é o nosso compromisso.

Vamos ver como se conclui o debate.

Além de combater o desmatamento, teremos um trabalho de regularizar e de plantar árvores nesse País", disse a ministra.

A expectativa do ministério é de que a reforma do Código Florestal leve à recuperação de 300 mil km² de vegetação nativa.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Um comentário:

Claudio novatzki disse...

Precisamos ptreservar esta riqueza natural de nosso país.