quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Carnaval da Crise

Por Dal Marcondes

Nunca ouvi falar que crise atrapalhou o Carnaval. E este ano não vai ser diferente. Samba, cerveja e sexo conseguem fazer a catarse de qualquer crise, seja financeira ou moral. Mas, para dizer a verdade estou cansado de ouvir falar em crise. O discurso corrente descreve a tal da crise como generalizada, sem saída e com um fôlego de Momo, não para alguns dias de festa, mas para anos sombrios. A verdade é que não consigo acreditar que vamos passar os próximos anos como carpideiras.

O Brasil é um País de sorte. Tem o Carnaval. E este ano a festa chegou no final de fevereiro, uma hora ótima para uma catarse coletiva e para expurgar o mau humor de gente que se escuda “na crise” para não encarar sua própria falta de vontade e interesse em olhar o futuro com determinação. O mundo inteiro começou o ano com uma sombra negra de uma crise que ninguém sabe até hoje que tamanho tem. Mas, dia a dia ela fica menor, menos agressiva e menos assustadora. Como bons brasileiros ainda estamos saindo da sonolência do verão e o país só vai pegar no tranco na quarta-feira de cinzas. Ai sim vamos ver se tem crise, e de que tamanho ela é.

O coitados dos americanos e europeus são obrigados a começar o ano em 1 de janeiro, num frio de fazer pingüim ficar em casa, com todo mundo assistindo TV e vendo o arautos da crise venderem as teses do quanto pior, melhor. Nos jornais e Nas TVs as fontes são as de sempre, as mesmas que diziam que o mercado era deus. O Estado, malhado como Judas nas últimas décadas, é que teve de enfiar a mão no bolso e pagar a conta. Bom, mas voltando ao frio, à falta de sol, à umidade do sapato. Não dá para ser otimista assim. Certamente muita gente aproveitou para dizer: “Com esta crise, vou ficar na cama”.

Mas, e o Brasil? Bom, por aqui o ano começa com sol, calor, biquíni, malemolência, Fórum Social na Amazônia e muita, mas muita cerveja. Desse jeito depressão (pessoal ou econômica) é coisa de quem não tem o que fazer ou tá sem namorada (o).

Hoje acordei com o noticiário do rádio falando que janeiro teve recorde de financiamento de casa própria. Ontem li que a balança comercial brasileira está positiva. Estas notícias, e outras, que mostram que as vendas de carro não despencaram como queriam os arautos da crise, mostram que as coisas talvez não sejam tão negras como gostam os vampiros que sugam as energias do mundo.

O Brasil vai acordar na Quarta-Feira de Cinzas, curar suas ressacas e olhar para a frente como sempre fez. Vamos assistir TV e trabalhar, vamos sorrir e contar causos. Finalmente o ano vai começar. Bendito Carnaval. (www.envolverde.com.br)

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2 comentários:

Ana Carolina Amaral disse...

É ótimo ler que alguém (e que alguém!) também não bota fé nessa crise. Haja vampiro para sugar a energia do Brasil em festa!

Carla Valdetaro disse...

Tem brasileiro nos EUA que também só houve falar da crise pela TV, não sentiu no bolso. Eu não sei se isto é coisa de brasileiro, que está acostumado a levar lambada a vida inteira e mesmo assim não desiste, ou se a sociedade americana ficou acostumada a uma situação surreal de consumismo e quando caiu na real se assustou muito. Os EUA consomem 25% dos recursos naturais do planeta e propagam, com orgulho, o "american way of life". Bom, o caminho deles não é sustentável e um dia tinha que cair a ficha. E se Deus e o Carnaval quiserem, eles vão pagar esta conta sozinhos! RSRSRSRS. Viva o Carnaval!