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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Seca: 123 cidades do Nordeste sob risco






Levantamento do Correio aponta situação dramática em funcção da estiagem. Para agravar o problema, diálogo entre as Defesas Civis estaduais e o escritório nacional está defasado
  Débora Álvares, do Correio Braziliense

Enquanto o país ainda não se recuperou da tragédia na região serrana do Rio, onde a chuva matou mais de 800 pessoas, um outro cenário de drama em razão de mudanças climáticas começa a se desenhar nos dois extremos do país. Levantamento feito pelo Correio com todas as Defesas Civis do Brasil mostra que 123 municípios do Nordeste decretaram estado de emergência por causa da seca. O Rio Grande do Sul, estado que historicamente tem a melhor distribuição de chuvas de todo o Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), também sofre com a estiagem e tem 13 cidades nessa situação.
Apesar de a situação exigir atenção de todos os órgãos responsáveis, as Defesas Civis estaduais, aparentemente, não mantêm um diálogo direto e eficaz com o órgão central de controle, a Secretaria Nacional de Defesa Civil. Para se ter uma ideia, enquanto a Secretaria Nacional tem registro de cinco municípios cearenses com decreto de estado de emergência em análise e nenhum com a situação reconhecida, o órgão estadual afirma que já são 85. O mesmo ocorre na Bahia, onde 21 cidades pediram ajuda, segundo dados estaduais, mas nacionalmente apenas sete foram registradas.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Clima ajudou queda de Império Romano

Divulgação

DE SÃO PAULO


ASCENÇÃO E QUEDA (CLIMÁTICA) DO IMPÉRIO ROMANO Como o frio e a seca teriam levado Roma à decadência

RICARDO MIOTO. da Folha de S. Paulo

Estudo mostra que, a partir do século 3, esfriou e parou de chover no Império, e a agricultura entrou em colapso Publicação de livro sobre o tema, em 2005, aumentou o interesse na relação entre história e ambiente 


DE SÃO PAULO Não é a resposta que quem corrige vestibulares espera, mas um novo estudo diz que, entre os fatores que levaram o Império Romano ao fim, está uma mudança climática.

Pesquisadores da Universidade Harvard e de várias instituições europeias mostraram que, no auge da expansão de Roma, o clima era quente e chuvoso. Isso fortalece a agricultura e, assim, ajuda a alimentar grandes exércitos, além de permitir uma economia pujante, evitando insatisfações internas.

Isso aconteceu por volta do ano 100 d.C., quando o Mediterrâneo virou um "lago romano", e o Império chegou a colocar os pés até no Norte da atual Inglaterra, onde concluiu, em 126 d.C., a muralha de Adriano, para manter os inimigos afastados.

Uma hora, porém, a prosperidade acabou. A partir do meio do século 3, mudanças climáticas tornaram o Império Romano mais seco e frio.
Segundo o grupo internacional de pesquisadores, que publicou suas conclusões na "Science", isso certamente afetou a produção de alimentos e pode ter estimulado causas tradicionalmente relacionadas à decadência de Roma, como a inflação.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O maior embuste da história

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE
Publicado na Folha de SP, 24/02/2010)

POIS VEJAM só, 170 países -ou seja, a humanidade toda- se reuniram para discutir o combate ao aquecimento global, que seria consequência da emissão de gases ditos de efeito estufa de natureza antropogênica. E imaginem só: não existe esse tal de efeito estufa.Cada um desses 170 países se apoiou em seus cientistas, dezenas de milhões que, de uma maneira ou outra, com umas poucas centenas de exceções, reconhecem a existência do fenômeno. Mas esses 170 governos, essas dezenas de milhões de cientistas pretendem, por motivos ocultos ou pelo menos ainda não desvendados, enganar a humanidade com uma lorota que seria o maior embuste da história -e a prova incontestável disso foi obtida por uns "hackers".

Um dos especialistas em aquecimento global se vangloriou de que teria apresentado dados de maneira a confundir sua leitura e a percepção por não iniciados de que breves oscilações naturais na temperatura da Terra estariam ocorrendo.E, embora até agora não tenha sido demonstrado que houve real fraude, esse episódio é suficiente para desacreditar essas dezenas de milhões de cientistas que acreditam que o efeito estufa atmosférico existe. Todos eles seriam, portanto, partícipes do maior engodo da história da humanidade.


Essa suplantaria aquela que fora a até então mais perversa farsa científica de todos os tempos e que foi chamada de "o engodo do homem de Piltdown". Em 1908, foram descobertos alguns ossos de membros, de maxilar e do crânio de um "primata" por operários em uma caverna. Os indícios eram de que poderiam constituir aquilo que se buscava incessantemente, "o elo perdido" que provaria definitivamente a ascendência do macaco em relação ao homem e, consequentemente, a própria teoria da evolução de Darwin.

Nas décadas seguintes, novas evidências foram adicionadas. Até que um dia, 40 ou 50 anos mais tarde, algumas dúvidas afloraram e finalmente prova definitiva da fraude foi exposta. Dentes haviam sido maquiados e ossos de primatas diversos, inclusive Homo sapiens, preparados e incluídos, compondo assim um indivíduo híbrido. O principal autor fora o descobridor inicial, Charles Dawson, mas muitos cientistas ilustres, inclusive o jovem e brilhante Teilhard de Chardin, foram acusados de participação acessória.

A mais benevolente interpretação é a de que, com tais provas, derrotar-se-iam as resistências de cristãos e de suas igrejas à teoria da evolução. Com a demonstração de que o homem de Piltdown era um embuste, poder-se-ia concluir que o criacionismo seria a verdade triunfante. Ou seja, Adão foi feito de barro há cerca de 5.000 anos e sua mulher brotou de sua costela como um cogumelo.

Pode parecer ridícula essa conclusão, mas é exatamente isso o que os chamados céticos estão fazendo com relação ao efeito estufa atmosférico.Como um especialista se jactou de ter "preparado" resultados, concluem esses senhores que não há efeito estufa atmosférico e que, portanto, os milhões de cientistas que acreditam na sua existência são uns idiotas e só eles, os céticos, os pouquíssimos iluminados com o toque da divindade suprema, como Moisés, tiveram acesso à revelação.

Pois bem, no conturbado debate em torno do conflito religioso, ideológico e científico que se travou depois da publicação do livro de Darwin ("A Origem das Espécies") e se estende até nossos dias, jamais um intelectual criacionista usou um argumento baseado na fraude do homem de Piltdown para defender suas convicções. Talvez por elegância intelectual ou por simples inteligência, pois nenhum debatedor honesto usaria uma leviandade de um indivíduo ou mesmo de um grupo para desqualificar o trabalho sério e dedicado de milhares de autênticos pesquisadores e a convicção de milhões de cabeças pensantes. Apenas a vaidade arrogante e a irresponsabilidade intelectual acomodariam esse abuso contra a razão.

É também notável o fato de que, embora o Brasil possua alguns milhares de pesquisadores reconhecidos internacionalmente pela qualidade de suas pesquisas, qualidade esta evidenciada pelo número de citações na literatura internacional, nenhum dos poucos que rejeitam o aquecimento global se insira nesse abundante rol de qualificáveis como autênticos cientistas.t