sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ilha do Marajó deixa de usar óleo para geração


O equivalente a 22 mil caminhões-pipa carregados de óleo combustível, altamente poluente, ainda são necessários por ano para gerar energia suficiente para abastecer toda a Ilha de Marajó e a margem esquerda do rio Amazonas, no Pará. Paraísos em meio à Floresta Amazônica, como a praia de Alter do Chão, que se auto-denomina Caribe do Amazonas, ainda vivem essa realidade de ter energia a base de óleo queimando em térmicas. Só agora o Pará começa a ter energia mais limpa. Até o fim do ano toda a Ilha de Marajó deverá estar interligada ao sistema nacional, com investimentos da ordem de R$ 450 milhões que estão sendo financiados pela Reserva Global de Reversão (RGR), fundo administrado pela Eletrobras que é pago pelos consumidores de todo o país na conta de luz.

A distribuidora Celpa, do grupo Rede Energia, é quem está à frente do investimento, subsidiado em sua maior parte, cerca de 75%, por créditos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), outro encargo atrelado à tarifa de energia. Mas se por um lado o consumidor paga a conta dos investimentos por meio da CCC e financia por meio da RGR, de outro deixará de pagar o caro preço do combustível para abastecer a região.

Metade da Ilha de Marajó já estará interligada em meados do mês de outubro. Nesta primeira etapa, a Celpa investiu R$ 170 milhões, sendo R$ 148 milhões financiados pela RGR. Na segunda etapa, que começa agora, serão liberados R$ 249 milhões do fundo. A primeira tranche do empréstimo, de R$ 70 milhões, chegou à companhia na semana passada. Além de ter como fiança os créditos da CCC, o empréstimo foi cedido com juros de 5% ao ano, mais taxas de 3%, com um prazo de 13 anos e carência de três anos.

De acordo com o presidente do conselho de administração da Rede Energia, Jorge Queiroz, e que está hoje à frente da Celpa, no próximo ano a empresa vai fazer os investimentos para interligar a margem esquerda do Amazonas que abrange a região de Oriximiná, cidade onde fica Alter do Chão. A interligação será feita pelas linhas de transmissão que vão ligar a hidrelétrica de Tucuruí até Manaus, no Estado do Amazonas, que tem previsão de ficar pronta no início de 2013. Os investimentos totais para essa empreitada, na parte que diz respeito à distribuição, ainda não foram contabilizados pela empresa.

Para o ano de 2011, a empresa já estimou o consumo de 131 mil metros cúbicos de óleo para atender todo o Estado. A previsão é que esse valor caia no próximo ano, quando toda a Ilha de Marajó já estará interligada ao Sistema Nacional. Mesmo assim, só para a margem esquerda do Amazonas são necessários cerca de 60 mil metros cúbicos de combustível por ano.

Esses investimentos acontecem ao mesmo tempo em que a distribuidora tenta melhorar seus números de qualidade. Com prejuízos constantes e multas aplicadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica, a distribuidora começou neste ano uma reestruturação para reduzir o número de horas que o consumidor fica sem luz no Estado. Em janeiro, a média por cidadão era de 52 horas. A estimativa é reduzir para 25 horas até o fim do ano.

Fonte: Valor Econômico

Um comentário:

manouchk disse...

O blog é muito interessante, ele levanta assunto que não encontramos em outros lugares. Parabéns pela originalidade das informações trazidas!

Emmanuel,
Blog Vitória Sustentável
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